segunda-feira, 22 de março de 2010

Observação a olho Nú


"Chegaram ontem, todos de uma longa viagem....
                  Nem pareciam retirardes, pareciam astro-nautas"

Leandro Goulartt
Observação a olho nú.

domingo, 21 de março de 2010

Gush


Subir e descer
Subir e descer
Eu e você
Na mão na contramão

Às vezes um grito
Às vezes silêncio
Um espaço de tempo
Um olhar no olhar

Subir e descer
Subir e descer
Eu e você
Nos sem ninguém

Leandro Ooulartt

sexta-feira, 19 de março de 2010

Epitáfio 1


Vivi, vivi e morri
E acabo de renasce em suas lembranças
Vivo de novo

Leandro Goulartt

Devo amar mais, chorado mais,não chora menos eu acho que ja choro de mais
Tevo ver mais o sol nascer**
Titãs

Composição: Sérgio Britto

Origem de mim




De onde venho assim tão solto de pés descalço tão leve armado apenas do acaso?

Talvez de outra vida de algum livro afantasia de algum conto.
De onde venho tão solto, qual virgem sonho, corpo celeste, qual alforria?
Donde? Donde?
Talvez de algum lugar distante
Onde as sementes brotam com maior facilidade
Ou de algum coração pulsante que fez de seu oco minha morada
De onde venho assim tão desprovido do perigo, tão ingênuo?
Talvez do fim do mundo
Onde o estranho absurdo não é tão estranho assim
Ou talvez venho do nada onde o principio se acaba
E começa no mesmo estante


Donde? 
Donde?
Donde será que venho?

Leandro Goulart
*"Tenho em mim todos os sonhos do mundo e todos os pesadelos também"

segunda-feira, 15 de março de 2010

A flor imperial



A flor imperial esta cálida
No jardim da primavera
Desabrocha mansa tímida
És de lá a flor mais bela
Vejo a tarde anunciar-se
Feito sinos catedrais
E as outras tantas
Marginais tombam
Tontas a beleza dela
És a flor imperial
De brilho escumunal
De cor satariel
Os meus olhos, já não a vê
Tão tímida tão mansa
Está intrépida, altiva
A flor imperial
É de lá a mais linda
De tantas outras ali tão belas

Leandro Goulartt

terça-feira, 9 de março de 2010

Polar

Por que não me cansa esses meus versos?
Se há tempos não me andas tão intimo
Por que, se já não tenho mais a inspiração d’outras vidas?

Daquelas quais descrevia em tons de esmarim
Daquelas quais buscava lúdico resposta
Na psique d’outros poetas

Por que ainda insisto nessa inútil enredo?
[Nesse meu leviatã desejo de penetrar em outra esfera?]
Por que não me cansa esse meu prosar, se o outro não ávido de minhas idéias?

Ando quebranto, em qualquer canto enganado-me por enganar
Ando estranhado esses meus versos como quem se estranha no espelho
Perguntando-me se o que vejo, é o que sou ou o que era

Leandro Goulartt
"Feliz perplexidade"

sexta-feira, 5 de março de 2010

O último motivo da rosa


No jardim, desolada, esquecida
Paisagem amargar, trêmula
Lá se encontrava, doentia e já
Sucumbindo à tardia vida

No cole, que a boca Seca oferece a terra
O ultimo lampejo que os olhos secos
Pousam sobre ela, miragem triste
De um triste jardim

Então eis que estranha, está muda
Sem néctar sem cor alguma
Seu nome tomba-te tua beleza e sem gracejo ali está ela
Ficada na terra infértil e suja

Leandro Goulartt

Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.

Rosas verá, só e cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.

      (Quarto Motivo da Rosa)
Cecília Meireles




quarta-feira, 3 de março de 2010

La Dernière Résistance

Sinto-me em terrível clausura, o habitual tempo que  outrora me era tão importante
Sinto-me o leve despir, dos sonhos das esperanças, eu já avia morrido ou pelo menos a maior parte de mim.

Ali naquele campo sem flor sem carmagnole existia apenas dor, homens e mulheres vitimas do absurdo, se não fosse trágico seria cômico, seria. Checará até a inventar uma liberdade para me distrair, mais era em vã essa minha fuga, verdadeiramente desoladora, sabia que resistir era só o que podia fazer.

E o habitual tempo foi se arrastando era um sinal era um sinal que os segredos permaneciam preservados. Os gritos já não me causam o mesmo impacto que antes, só as lagrimas ainda me eram comoventes, me acostumará ao cárcere ao inferno ao frio da alma que me seguia por todas as estações, eu permanecia ali recluso, destituído, tudo estava perdido uma nação estava perdida.

De manhã gritos a tardizinha bombas e tiros e a noite monstros de todas as espécies. De tempo em tempo eu era incomodado por um par de olhos azuis que sempre me enganará com sua clareza, mais era apenas um par de olhos alvos e um coração escuro. Apenas. E assim foi se desenrolando com salva de glorias a historia de uma guerra cheia de ideais, de moribundos, cheio de hereges.

Não por falta de bravura, nem por covardia, apenas por não ser forte o bastante, mais eu tive um sonho em uma daquelas minhas noites cheias de monstros, em que um dia não muito distante desse meu habitual tempo aquele mesmo par de olhos tão persuasivos iriam me noticiar em tom de alivio “A guerra acabou, viva a resistência.”

E então eu poderia dar meu ultimo suspiro, mesmo sabendo que levantar-se é tão doloroso quando cair mesmo sabendo que muitos não serão se querem lembrados.
Más eu sei, eu resistir, eu não posso respirar aliviado, ainda tenho muitos sonhos aqueles quais um dia me despir, tenho uma nação para reconstruir uma guerra para retratar.

Leandro Goulartt
 
"Toda noite, durante o último turno, tem havido sinfonia. Da janela do hall da escada, vê-se uma claridade vermelha, a luz dos obuses e dos holofotes deixa o céu listrado. Uma hora dizem que é Duisburg, noutra, que é Essen ou Düren que arde em chamas."
Resistência

(Agnès Humbert)

domingo, 28 de fevereiro de 2010

AO AVESSO


Ao avesso se inclina
Se - entorta, se empina

Uma dobra de esquina
Uma dobra de papel

Ao avesso se mostra
Uma rosa, uma fera

Uma faca dilacera,
Os outros eus que a na gente

Estranha sensação de transparência
De ser claro ser essência

De ser você
Como você é.

Leandro Goulartt 


Poderias tu
Entender esse avesso meu
…que tenho e não nego?

Luisa