sexta-feira, 5 de março de 2010

O último motivo da rosa


No jardim, desolada, esquecida
Paisagem amargar, trêmula
Lá se encontrava, doentia e já
Sucumbindo à tardia vida

No cole, que a boca Seca oferece a terra
O ultimo lampejo que os olhos secos
Pousam sobre ela, miragem triste
De um triste jardim

Então eis que estranha, está muda
Sem néctar sem cor alguma
Seu nome tomba-te tua beleza e sem gracejo ali está ela
Ficada na terra infértil e suja

Leandro Goulartt

Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.

Rosas verá, só e cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.

      (Quarto Motivo da Rosa)
Cecília Meireles




quarta-feira, 3 de março de 2010

La Dernière Résistance

Sinto-me em terrível clausura, o habitual tempo que  outrora me era tão importante
Sinto-me o leve despir, dos sonhos das esperanças, eu já avia morrido ou pelo menos a maior parte de mim.

Ali naquele campo sem flor sem carmagnole existia apenas dor, homens e mulheres vitimas do absurdo, se não fosse trágico seria cômico, seria. Checará até a inventar uma liberdade para me distrair, mais era em vã essa minha fuga, verdadeiramente desoladora, sabia que resistir era só o que podia fazer.

E o habitual tempo foi se arrastando era um sinal era um sinal que os segredos permaneciam preservados. Os gritos já não me causam o mesmo impacto que antes, só as lagrimas ainda me eram comoventes, me acostumará ao cárcere ao inferno ao frio da alma que me seguia por todas as estações, eu permanecia ali recluso, destituído, tudo estava perdido uma nação estava perdida.

De manhã gritos a tardizinha bombas e tiros e a noite monstros de todas as espécies. De tempo em tempo eu era incomodado por um par de olhos azuis que sempre me enganará com sua clareza, mais era apenas um par de olhos alvos e um coração escuro. Apenas. E assim foi se desenrolando com salva de glorias a historia de uma guerra cheia de ideais, de moribundos, cheio de hereges.

Não por falta de bravura, nem por covardia, apenas por não ser forte o bastante, mais eu tive um sonho em uma daquelas minhas noites cheias de monstros, em que um dia não muito distante desse meu habitual tempo aquele mesmo par de olhos tão persuasivos iriam me noticiar em tom de alivio “A guerra acabou, viva a resistência.”

E então eu poderia dar meu ultimo suspiro, mesmo sabendo que levantar-se é tão doloroso quando cair mesmo sabendo que muitos não serão se querem lembrados.
Más eu sei, eu resistir, eu não posso respirar aliviado, ainda tenho muitos sonhos aqueles quais um dia me despir, tenho uma nação para reconstruir uma guerra para retratar.

Leandro Goulartt
 
"Toda noite, durante o último turno, tem havido sinfonia. Da janela do hall da escada, vê-se uma claridade vermelha, a luz dos obuses e dos holofotes deixa o céu listrado. Uma hora dizem que é Duisburg, noutra, que é Essen ou Düren que arde em chamas."
Resistência

(Agnès Humbert)

domingo, 28 de fevereiro de 2010

AO AVESSO


Ao avesso se inclina
Se - entorta, se empina

Uma dobra de esquina
Uma dobra de papel

Ao avesso se mostra
Uma rosa, uma fera

Uma faca dilacera,
Os outros eus que a na gente

Estranha sensação de transparência
De ser claro ser essência

De ser você
Como você é.

Leandro Goulartt 


Poderias tu
Entender esse avesso meu
…que tenho e não nego?

Luisa

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

LASCIVÍA


Beije-me flor
Com esse seu beijo adocicado
Com essa sua boca envenenada
Com esse seu faminto desejo
De comer-me o coração

Leandro Goulartt

Quero-me assim, despido, sem pudor, preparado para o prazer.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

INTRAPESSOAL

Minha alma está molhada, as lagrimas ainda tintam minha face
As ondas balançam meus singelos pensamentos
Alivio-me do peso das coisas mortas, eu estive longe
Em um mudo de coisas manhosas

Na luz, na estranha luz do fundo caracol
No nu, no estranho nu do fundo girassol
No estranho espelho que revela meus segredos
Eu estava mergulhado nas águas do meu encontro

Em mim no estranho eu, a algo que o mar não corou apenas levou para longe
Meus olhos decaídos não podem ver mais lá em cima
Elas voam luzes celestiais. Minha alma ainda esta encharcada de sonhos
Mais eu já chorei um mar de lagrimas e nenhum deus se apiedou,

Minha alma está molhada de uma água escura, de uma água que queima feito fogo
Na luz, no nu no insensível olhar, singelos pensamentos
Eu me alivio do peso das coisas mortas, eu estive longe
Em um mundo de nuanças, em algum lugar do meu incômodo coração.

Leandro Goulartt
 
Olhe, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras. Sou irritável e firo facilmente.
Também sou muito calmo e perdôo logo. Não esqueço nunca.
Mas há poucas coisas de que eu me lembre.

Clarice Lispector

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A LAGOA

Hoje caminhei até a lagoa aquela lagoa deserta
Que fica longe que fica quase no fim de minhas forças
Hoje caminhei em sua margem
Toquei a sua água banhei a minha face
Fiquei ali admirando o seu espelho observando a minha imagem
Era uma lagoa calma uma lagoa grande uma lagoa eterna
E nem me dei conta do tempo que se despia
As coisas estavam todas ali em seus lugares
Hoje caminhei até a lagoa
Aquela lagoa distante
Que fica além do cansaço além da força
Que fica além dos sonhos.

Leandro Goulartt
(*Eu caminhei e me sentir até mais leve, estava despido de tudo até dos meus sonhos.)

Na chuva de cores
da tarde que explode
a lagoa brilha
a lagoa se pinta
de todas as cores.
Eu não vi o mar.Eu vi a lagoa...
Carlos Drummond de Andrade

Foto( lagoa de minha cidade)

O CORAÇÃO ESPERA

Agora meu coração está em paz mais antes estava atordoado

Sim estava cheio de tristeza, eu tenho medo dores
Eu fecho os meus olhos e então me vêm à lembrança àquela canção que fala de você
E então se vai minha tranqüilidade
Meu coração está em paz agora, mais eu me sinto vazio, incompleto
A algo de estranho acontecendo, meus olhos não podem ver mais eu sei que há, sinto
Talvez você esteja  dormindo sonhado (agora), teu coração esta em paz
Más o meu o meu vagueia neste momento, talvez ele esteja ai com você
Eu tenho muitos medos dores e sonho mais o meu coração esta em paz agora
Apesar do vazio, eu sinto aqui dentro que minha busca não será em vã.

Leandro Goulartt
*Quero ser feliz também
Eu fico aqui me perguntando será?

Talvez nunca talvez jamais
Ou talvez agora

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

ABRAÇOS

Querendo abraços, quais laços
Frágeis laços de fita que silente se desfazem
Vão-se como delicada voz
Como vou de pássaro sagrado

E se a rosa acolhe-me em teus seios
Vai-se o cansaço contido no peito
Vai livre como uma canção
Que liberta todos os louros aprisionados

Querendo, imploro aquele aperto
Aquele estranho momento que tudo parece desaparecer
Secular flor que cega meus olhos
E como escravo preso a um laço eu choro

E minha lagrimas, despede-se em lembranças

Leandro Goulartt
(*E eu fui e estava pleno, preparo para sentir o calor escumunal do teu abraço.)

O corpo é um caminho:
ponte, e neste efêmero abraço, busco transpor o abismo.
Thiago de Mello

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

ÚLTIMA RESISTÊNCIA

Gostaria de ser profundo como um abismo.Mais não posso ser mais do que isso é o que me permite
Talvez se escrevesse sobre seus medos, você silente tomaria minhas palavras nas mãos e as levaria a algum lugar distante onde jamais se lembraria delas.Talvez se eu escrevesse sobre teus sonhos você me tocaria com sua vontade infinita de ser mais do que palavras e eu ficaria preso em alguma distante dimensão. Mais não sei o que escrever você sempre é esse próximo ponto a próxima vírgula sempre essa interrogação Gostaria de ser profundo como um lago um manso lago onde você serena reflete tua face
Mais tu não pode ver além do que é visto não ser permite esse contado intimo esses olhos nos olhos Gostaria que minhas palavras fosse assim flechas certeiras, rumo a sua inabalável resistência, mais não posso ser mais to que isso (palavras). Isso é o que você me permite.

Leandro Goulartt
(*Ir longe...No coração.)